Por Nathalia Costeira
As incorporadoras de capital aberto fecharam o primeiro trimestre com avanço de indicadores financeiros em relação ao início de 2025, segundo levantamento do Valor Data com 27 companhias. Ainda assim, entre as listadas, o preço das ações acumulava queda média de 39,46% desde o começo do ano até o início desta semana. A dissociação entre resultado e bolsa reflete menos a fotografia do trimestre e mais o receio com o custo de construção nos próximos meses.
INCC e petróleo recolocam margens no centro da análise
O foco do mercado está na inflação de insumos, intensificada pelo avanço do petróleo em meio à guerra no Irã. O INCC subiu 1,04% em abril e acumula 6,28% em 12 meses, com projeções de chegar perto de 10% se o choque persistir.
Esse cenário afeta principalmente empresas expostas ao Minha Casa, Minha Vida, onde o preço de venda não é atualizado pela inflação ao longo da obra, diferentemente do que ocorre em segmentos de média e alta renda.
Analistas veem operação resiliente, apesar de risco
Analistas de Bradesco BBI e Santander reconhecem que o momento operacional segue positivo e que as companhias têm conseguido repassar preços sem perda relevante de velocidade de vendas. Fanny Oreng, do Santander, disse ao Valor que o mercado estaria precificando uma compressão de margens maior do que a que deve aparecer nos resultados. O banco continua preferindo nomes do MCMV, como Cury e Direcional, pela capacidade de repasse e pelo suporte das mudanças recentes no programa habitacional.
Percepção continua pesando mais do que execução
Executivos do setor classificaram a reação dos investidores como exagerada e tentaram detalhar, nas teleconferências, o que já entrou de inflação e como estão revisando custos. Mesmo assim, a leitura dominante é de que os balanços ainda olham pelo retrovisor e que o segundo trimestre deve oferecer mais clareza sobre o impacto do petróleo. Até lá, o setor convive com uma situação paradoxal: resultados operacionais mais fortes, vendas ainda resilientes e ações pressionadas por uma percepção de risco que permanece elevada.