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26/06/2026

Construtoras pedem corte de juros no Minha Casa, Minha Vida – Estadão

Pleito levado ao governo envolve as faixas 3 e 4 do programa habitacional

Por Circe Bonatelli

Representantes do setor de construção levaram ao governo federal o pleito de um novo ajuste no Minha Casa, Minha Vida. O que está na mesa é um pedido de redução dos juros praticados nas faixas 3 e 4 do programa - que se tornou o grande motor do mercado imobiliário nacional. Atualmente, mais da metade dos lançamentos e das vendas de imóveis residenciais novos no País estão enquadrados no Minha Casa.

Coluna apurou que há duas conversas em andamento, embora ainda em fase inicial, sem uma proposta formal definida. Uma delas prevê o corte de 1 ponto percentual na faixa 3 (de 8,16% para 7,16% ao ano) e na 4 (de 10% para 9% ao ano).

A outra possibilidade seria segmentar as faixas 3 e 4, criando taxas intermediárias de acordo com a renda. Por exemplo: a faixa 3 atende famílias com renda mensal entre R$ 5 mil e R$ 9,6 mil, com taxa de 8,16% para todos. Com o ajuste, os beneficiários que ganham perto de R$ 5 mil teriam uma taxa um pouco menor que os atuais 8,16%, enquanto aqueles que ganham perto de R$ 9,6 mil pagariam um pouco acima disso.

Planalto fez ajustes recentes

O programa já passou, em março, por elevações das faixas de renda e do preço máximo dos imóveis elegíveis. No entanto, o que está por trás do novo pedido de ajustes foi o aumento relevante nos custos de materiais ao longo dos últimos meses. Isso tem levado as construtoras a subir o preço de vendas para preservar as margens de lucro. Por outro lado, algumas empresas têm notado mais dificuldade em realizar as vendas.

A situação é melhor na faixa 1 e 2, que têm juros menores e subsídios maiores para compor o pagamento da entrada. Nas faixas 3 e 4, não há esse subsídio para ajudar na entrada. “O cliente que ganha um pouco mais de R$ 5 mil não está conseguindo acompanhar os novos preços”, disse uma fonte, reservadamente.

O tema foi discutido com o Ministro das Cidades, Vladimir Lima, durante evento organizado pela Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc) em São Paulo, nesta quinta-feira, 25. Durante painel com o representante da pasta, o empresário Ronaldo Cury, diretor da Cury Construtora, aproveitou a sessão de perguntas para expor a situação. “Precisamos de um novo ajuste, ministro”, disse, da plateia. “A guerra [no Irã] trouxe aumento de custos, ninguém esperava isso. Bagunçou tudo. Então, todo mundo teve que subir preço para se proteger.”

Lima evitou fazer uma avaliação sobre a possibilidade de o governo acolher o pleito. “O Minha Casa, Minha vida é um programa dinâmico, e a gente está o tempo todo analisando”, comentou, acrescentando que a taxa de juro no segmento já é a “menor da história”.

FONTE: ESTADãO