Por Vitória Nascimento
O mercado imobiliário de superluxo em São Paulo fechou 2025 com novos recordes de preços, impulsionado por demanda resiliente e pela venda de imóveis maiores. Segundo o Monitor de Vendas por Rua, da Loft, baseado em 119 mil transações e restrito a vias com ao menos três vendas por ano, a rua Frederic Chopin, no Jardim Europa, liderou o ranking como o endereço mais caro da capital, com tíquete médio de R$ 42,8 milhões por imóvel.
O valor representa uma valorização de 59% em comparação a 2024 e é mais que o dobro da segunda colocada, a avenida Magalhães de Castro, no Morumbi (R$ 17,1 milhões). Segundo Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft, essa alta não reflete apenas a valorização real dos endereços, mas também uma alteração no “mix” do estoque: imóveis maiores e mais sofisticados passaram a dominar as transações nessas vias. Na Frederic Chopin, por exemplo, a área média dos imóveis vendidos subiu 42%, atingindo 1.128 m2.
Enquanto algumas vias se destacam pelo tamanho dos imóveis, em outras o preço do metro quadrado evidencia a pressão da demanda por moradia em áreas consolidadas. A rua Atlântica, no Jardim Paulistano, lidera este ranking com preço médio do metro quadrado, para venda, em R$ 46,3 mil, alta de 29% em relação ao ano anterior.
“Em algumas ruas, o tíquete médio sobe com imóveis maiores; em outras, o destaque é o preço do metro quadrado, indicando demanda forte mesmo em áreas menores”, explica Takahashi.
O Jardim Europa continua sendo o epicentro da riqueza imobiliária, concentrando oito das 20 ruas com o metro quadrado mais caro da cidade, seguido por Jardim Paulistano, Itaim Bibi, Moema, Morumbi, Vila Nova Conceição e Pinheiros.
Um dos pontos de maior destaque para os executivos é o descolamento deste segmento em relação à política monetária restritiva. Com a taxa Selic em patamar elevado, o superluxo seguiu aquecido por ser menos dependente de crédito imobiliário tradicional. “Para essa categoria, os juros têm um peso menor, porque ela é menos dependente de financiamento”, afirma Takahashi.
Cristiano Maia, diretor geral de vendas da Foxter Cia Imobiliária, reforça que o público — composto principalmente por executivos, empresários e compradores internacionais — utiliza estruturas de pagamento diferenciadas, como recursos próprios e parcelamentos diretos.
Apesar dos saltos expressivos, como os 99% de valorização no tíquete médio observado na rua Groenlândia (Jardim Paulistano), e os 77% na rua Ibiapinópolis (Jardim Europa), os especialistas veem sustentabilidade nos preços para 2026. No entanto, Maia alerta para um movimento de seleção natural: imóveis e projetos antigos que não acompanharem as novas exigências de serviços e padrão construtivo podem sofrer correção ou perder atratividade frente aos novos lançamentos de altíssimo padrão.
Sinais dessa seletividade já aparecem nos dados. No Itaim Bibi, a rua Jorge Coelho viu seu tíquete médio recuar 30%, acompanhado por uma queda de 19% no preço do metro quadrado. O ajuste foi ainda mais visível no recorte proporcional do Jardim Europa, onde a rua Inglaterra e a rua Mariana Corrêa apresentaram retrações de 34% e 32% no valor do metro quadrado, respectivamente, indicando que só prestígio do endereço já não garante a sustentação dos preços.
As 10 ruas mais valorizadas de SP em 2025 (preço do m² e variação sobre 2024)