Por Malu Mões
Com a futura transferência das secretarias estaduais para o novo centro administrativo no Campos Elíseos, o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) planeja vender edifícios na região central da capital. Prédios históricos estarão na primeira leva do leilão, entre eles o Cine Marrocos, o Hotel Esplanada e o Banco de São Paulo. A intenção é repassar esses imóveis à iniciativa privada para transformá-los em polos de moradia, lazer e hotelaria.
O projeto central de Tarcísio para isso é a construção da nova sede do governo ao redor da Praça Princesa Isabel. Em fevereiro, o consórcio MEZ-RZK Novo Centro foi o vencedor da concessão da Parceria Público-Privada (PPP) e, no mês passado, as secretarias de Parcerias em Investimentos (SPI) e de Projetos Estratégicos homologaram o processo licitatório.
O empreendimento prevê a transferência das 26 secretarias estaduais, hoje divididas em 40 endereços, para o complexo. Sete torres serão erguidas para contemplar os 22 mil funcionários da administração pública.
Após a saída das atuais sedes das secretarias, a previsão é vender ou repassar os imóveis. As construções passariam por retrofit (reforma para modernizar as estruturas históricas, sem demolir a edificação). A lista contém patrimônios históricos tombados, símbolos da arquitetura paulistana.
“A proposta é ser um misto de hotelaria, moradia, espaço de lazer e até corporativo. Mas, a prioridade é transformar tudo o que pudermos em residencial”, descreve o secretário estadual de Projetos Estratégicos, Guilherme Afif Domingos.
Afif lembra ainda que o centro possui grande oferta de infraestrutura pública. “A população perde muito tempo no trânsito porque mora distante do trabalho. Enquanto isso, o centro é um dos grandes hubs de mobilidade da cidade. Ali se concentra a maior rede metroferroviária do Estado.”
Diretor de Patrimônio e Cidades do departamento paulista do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-SP), o arquiteto Marcelo Fonseca Ignatios destaca que moradores atraem restaurantes, supermercados e outros comércios que funcionam no contraturno, evitando que a região fique vazia. “Só se consegue requalificar uma região se você tem pessoas morando nela, com uma multiplicidade de rendas, para o território funcionar de dia, de noite e nos fins de semana.”
A doutora e professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie Viviane Manzione Rubio ressalta que a demanda por moradia no centro é antiga. “Discutimos desde 2014 a necessidade de reaproveitar prédios como esses para moradia, especialmente para habitação de interesse social (famílias com renda de até seis salários mínimos) e habitação de mercado popular (até dez).”
A gestão Tarcísio afirma ter investido recursos recordes para enfrentar o déficit habitacional do Estado. Em nota, informou ter injetado mais de R$ 8 bilhões em programas habitacionais entre 2023 e 2025 - valor que diz ser superior ao total destinado nos oito anos anteriores, de 2015 a 2022.
Desde 2023, o governo estadual afirma ter entregue 15,7 mil moradias na capital paulista, enquanto outras 34,5 mil seguem em construção. Também diz ter realizado a regularização fundiária de 43 mil imóveis. O governo ainda prepara uma parceria público-privada focada em habitação no centro histórico, que deve ir a leilão até o fim do ano.
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