Por Daniel de Andrade
O mercado imobiliário em Belo Horizonte vem se reaquecendo, ainda que de forma tímida. Em março, a capital mineira registrou alta de 0,83% nos preços dos imóveis residenciais. O valor ficou acima do resultado de fevereiro, quando havia avançado 0,62%. No acumulado de 12 meses, porém, a variação recuou de 20,82% para 19,67%, ficando ligeiramente abaixo do indicador nacional para o mesmo período, de 19,76%.
Os dados fazem parte do Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R) desenvolvido pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
Para o presidente da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato da Habitação de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), Leirson Cunha, o crescimento, embora discreto, sinaliza um reaquecimento da demanda, o que naturalmente contribui para a subida dos preços.
“Tivemos duas reduções da taxa Selic este ano (de 15% para 14,5% ) e isso favorece o mercado. Vale destacar ainda uma abertura maior do programa Minha Casa, Minha Vida, aumentando a faixa de possibilidades dos subsídios. Esses fatores estimulam o cliente comprador”, analisa o dirigente.
Cunha também pontua que o crescimento de 0,21 pontos percentuais não se trata de uma “euforia de mercado”. “A fundamentação do preço está pautada no custo da construção, que é naturalmente repassado para o consumidor final, e em padrões econômicos sólidos”, destaca.
Incertezas políticas não afetam mercado imobiliário
Leirson Cunha acredita ainda que mesmo diante de um ano eleitoral, naturalmente marcado por um cenário de incertezas políticas e econômicas, o mercado imobiliário seguirá crescendo nos próximos meses. “O investimento [em imóveis] é um caminho que traz a segurança para a família que quer ter o seu bem garantido e muitos enxergam este segmento sob a ótica da segurança patrimonial”, diz.
Procura por imóveis exige cuidados
Diante do crescimento da demanda por imóveis, que vem culminando no aumento dos preços, Cunha afirma ser fundamental a atenção do consumidor no processo de negociação. “É importante desconfiar de ofertas extremamente vantajosas. Além disso, é essencial buscar profissionais credenciados e jamais negociar direto com o proprietário. Isso porque a prática não tem um respaldo jurídico ou a mediação de contrato que resguarde ambas as partes”.
O dirigente conta ainda que o Secovi-MG tem uma certificação para as empresas, o Programa Qualificação Essencial (PQE), que reconhece imobiliárias, administradoras de condomínios, construtoras e incorporadoras que investem na capacitação de suas equipes e adotam boas práticas de mercado. “As empresas certificadas estão naturalmente muito mais preparadas para atender o público com informação consolidada e de fonte mais segura”, conclui.
Entenda como funciona o IGMI-R
O Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial acompanha a evolução dos preços dos imóveis residenciais com base em laudos de avaliação utilizados nas operações de financiamento imobiliário. Desenvolvido pela Abecip em parceria com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (IBRE/FGV), o indicador consolida e padroniza informações do mercado a partir de uma base ampla de avaliações, cobrindo mais de quatro mil municípios brasileiros. A metodologia considera características mensuráveis dos imóveis, como localização, área e padrão construtivo.