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25/02/2026

A transição no funding imobiliário e os impactos para 2026 e 2027: o que mudará no crédito e como isso influenciará o setor. – Papo Imobiliário

O modelo de financiamento imobiliário brasileiro está passando por uma transição silenciosa, mas estrutural. Embora as mudanças mais relevantes estejam previstas para se consolidar a partir de 2027, seus efeitos já influenciam decisões estratégicas de bancos, incorporadores e investidores em 2026.

Por Katya Treiger

Historicamente, o crédito imobiliário no Brasil foi fortemente ancorado nos recursos da poupança, por meio do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). A exigibilidade - obrigação regulatória que direciona parte desses depósitos ao financiamento habitacional - garantiu previsibilidade de funding ao setor por décadas.

O problema é que a poupança deixou de ser uma fonte estável. Em ciclos de juros elevados, como os observados recentemente, a migração de recursos para aplicações mais rentáveis reduz o volume disponível para o crédito imobiliário. Esse movimento expôs uma fragilidade estrutural: a dependência excessiva de uma única fonte de captação.

O que está mudando

As discussões regulatórias apontam para uma flexibilização gradual do modelo de direcionamento obrigatório de recursos, com menor dependência da poupança e maior protagonismo do mercado de capitais.

Na prática, isso significa : ampliação do uso de instrumentos como LCIs, CRIs e securitizações, maior integração entre bancos e investidores institucionais e redução do peso do funding compulsório como principal sustentação do crédito imobiliário.

O crédito passa a responder mais diretamente às condições de mercado - custo de captação, apetite do investidor e cenário macroeconômico.

Impactos para os bancos

Para as instituições financeiras, o cenário tende a exigir maior eficiência na gestão de captação e risco. O crédito imobiliário pode se tornar mais sensível às oscilações da taxa básica de juros, mais dependente de mercado secundário e estruturações e, por consequência, mais segmentado por perfil de risco e ticket médio.

Em ciclos de estabilidade e queda de juros, o ambiente pode favorecer expansão. Em momentos de incerteza fiscal ou pressão inflacionária, o custo do funding pode subir com maior velocidade. Isso impacta no bolso final.

Impactos para incorporadores

Para o setor de incorporação, a principal mudança está na previsibilidade.

Se o modelo anterior permitia contar com fluxo relativamente estável de repasse bancário, o novo contexto exige planejamento financeiro mais estruturado. A diversificação de fontes de recursos tende a ganhar relevância, assim como operações estruturadas, antecipação de recebíveis e integração com o mercado de capitais.

Projetos passam a demandar estratégia financeira desde a concepção - e não apenas na fase de repasse.

Impactos para o comprador

Para o mutuário, os efeitos devem aparecer principalmente nas condições de crédito.

A tendência é de maior diferenciação entre instituições financeiras, com variações mais relevantes de taxas, prazos e exigências. O crédito pode se tornar menos padronizado e mais sensível ao ambiente macroeconômico.

Em um cenário de gradual redução da Selic, a transição pode ocorrer de forma mais equilibrada. Porém, caso haja instabilidade, o custo do financiamento pode reagir de maneira mais imediata do que no modelo anterior.

Um novo ciclo para o mercado imobiliário

O setor imobiliário brasileiro entra em uma fase de maior sofisticação financeira. A transição do funding direcionado para um modelo mais orientado ao mercado altera a dinâmica do crédito e impõe ajustes estratégicos a todos os agentes envolvidos.

2026 tende a ser um ano de adaptação e entendimento. Já,

2027 deve marcar a consolidação desse novo arranjo.

A compreensão desse movimento é fundamental para quem atua na intersecção entre mercado financeiro e mercado imobiliário - dois universos que, cada vez mais, operam de forma integrada.

FONTE: PAPO IMOBILIáRIO