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Bancos exploram um nicho em ascensão

(Valor Econômico 28/06 pág. G5)

Embora ainda relativamente pequeno em relação ao total da receita do setor, o crédito para compra de material de construção sinaliza tendência de alta, fortalecida desde o ano passado pela redução do IPI.
Segundo a Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), a receita total dos varejistas da construção teve participação de 50% de vendas à vista. "O crédito bancário representa 5,5% das nossas vendas, o que sugere um espaço para crescimento muito grande", afirma Cláudio Conz, presidente da Anamaco. O restante vem de parcelamento pelas lojas com cheques pré-datados.
De olho nesse espaço, diversos bancos vêm investindo no aumento dos seus desembolsos para os consumidores interessados em construir ou reformar sua casa. Esse é o caso do Bradesco, que desde 2000 opera a linha João de Barro. "Fechamos cerca de mil contratos por mês para a compra de imóveis. Na linha João de Barro, são 2,5 mil por mês", revela o diretor de empréstimos e financiamento do banco, Nilton Pellegrino.
Segundo o executivo, a linha conta atualmente com 285 mil contratos firmados e um saldo de R$ 900 milhões. "Esperamos superar a barreira de R$ 1 bilhão até o fim do ano", afirma Pellegrino. "Nosso tíquete-médio, por exemplo, saltou de R$ 2 mil em 2001, para R$ 4,5 mil neste ano, um crescimento que deve continuar."
Para o superintendente de média e alta renda da Caixa Econômica Federal, Mário Ferreira Neto, o crédito deve seguir a trajetória de alta do mercado imobiliário e da venda dos materiais de construção. "Acreditamos na manutenção dessa tendência, reforçada pela redução do IPI no ano passado e pelo crescimento da renda do consumidor, que está com a confiança na economia elevada."
O executivo é o responsável pelo Construcard, cartão da Caixa dedicado à compra parcelada de materiais de construção que, segundo ele, tem registrado crescimento expressivo. "Temos um saldo de R$ 4 bilhões, mas apenas nos quatro primeiro meses de 2010 já contratamos mais R$ 1,5 bilhão", afirma. O produto está disponível desde 2000.
No Banco do Brasil (BB), o desempenho da linha voltada para reformas e pequenas construções também é positivo. "No primeiro semestre, já desembolsamos 25% a mais sobre o ano de 2009 inteiro e atingimos R$ 350 milhões de saldo", revela o gerente executivo de empréstimos e financiamentos do BB, Mario Casasanta. (T.V.)


 
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